Saudade da minha infância. Quero dizer, não exatamente da infância em si, mas do tempo que nesta época tive de devorar livros inteiros em poucas horas. Incentivada [no início, ameaçada] pela senhora minha mãe, dedicava de três a quatro horas do meu dia à leitura de inúmeros livros que ela me dispunha. Ela, minha mãe, foi professora de Língua e Literatura Portuguesa e eu tive o prazer de ser criada entre muitos e diversos livros. Hoje ela não atua mais nessa área sob o firme argumento de não suportar entrar no ambiente de sala de aula e ver que apenas três ou quatro alunos alguma coisa querem com a aula e a vida. [de fato a educação caminha para a escuridão] Como todo professor, sempre leu muito, e mesmo tendo se afastado das salas de aula, não abandonou o hábito, graças a DEUS.
Talvez eu tenha herdado o hábito de ler. Existe esta possibilidade? Se sim, alguém me diga. Talvez só mesmo aprendido a gostar. Só sei que de tanto ler aprendi a externar as coisas por meio da escrita, que por vezes é melhor compreendida que a palavra, e as vezes não. Mas se sim ou se não, não o sei bem e não é este o assunto. Na maioria das vezes quando falo me enrolo, mesmo assim gosto muito de falar, tanto que as vezes penso que incomodo [meu marido, principalmente]. Gosto muito de escrever também, mas penso que escrevendo não incomodo. E a vontade que, as vezes, tenho é de queimar minha vida numa coivara bem graaande de palavras, ponto e vírgulas duma vez só, seja lendo ou escrevendo.
O fato é que há algo que muito amo e que pouco posso fazer: LER! O problema é o tempo que me falta. E não me venha argumentar que o tempo quem faz somos nós porque se assim fosse você teria mais tempo para ler aquilo que eu penso e que escrevo. E quando não leio e escrevo o que quero “me sobe a boca uma ânsia, análoga a ânsia, que se escapa da boca de um cardíaco”. ['Psicologia de um vencido' - Augusto dos anjos]
Uma das minhas nobres companheiras de quarto foi a Clarice, é, a Lispector. E olha que eu nem sabia que ela nascera na Ucrânia. Nem que essa característica de precisar escrever caso contrário a sensação que se tem é de que se vai explodir em emoções, fosse algo compartilhado. Mas nunca a esqueci, de tanto que gostei. Talvez tivesse que tê-la tido por mais tempo como minha companheira de quarto, pois só li “A hora da estrela”. Talvez tivesse tido, se eu não fosse tão insegura. Talvez...
Ah, se pudesse voltar no tempo e ler mais. Não teria me distraído com tantas coisas vans. Mas se no passado tivesse a mente que tenho agora, não teria sido criança, nem adolescente, só mesmo leitora, e só leitora não é o que quero ser.
Gostei do seu blog.
ResponderExcluirVou estar por aqui.abraços,
Jorge(http://blogdojorge2.blogspot.com/)
ok
ResponderExcluiresteja a vontade
a casa é sua
abçs